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Nos 104 anos de Porto Velho, migrantes contam por que se apaixonaram pela capital

G1 RO, 24/01/2019 11h04

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Porto Velho comemora 104 anos de instalação nesta quinta-feira (24). A capital, e maior cidade do estado de Rondônia, é conhecida pelos historiadores e habitantes por ter uma população bem diversa, originária de várias partes do Brasil.

Como outras localidades do país, Porto Velho está dentro das recentes expansões populacional e agrícola do interior do Brasil. Assim, a cidade vivenciou alguns ciclos econômicos que trouxeram, além de investimentos e infraestrutura, mão de obra, pessoas que em busca de oportunidades resolveram fincar raízes.

Pedro das Chagas Moraes lembra de quando chegou a Porto Velho na década de 1970, motivado pela extração de ouro nos garimpos. Segundo ele, a capital do estado era muito diferente do que é hoje. Para efeito de comparação, o aposentado lembra que o bairro onde mora, na Zona Leste da cidade, foi resultado de invasões de várias pessoas que buscavam terrenos com preços mais em conta.

Na época, Pedro pagou cerca de 12 mil cruzeiros pelo local, hoje um bairro residencial com vários estabelecimentos comerciais próximos.

“Era muito mato e as pessoas invadiam com frequência, mas depois asfaltaram e tudo começou a se ajeitar”, lembra seu Pedro.

Antes da estabilidade, o aposentado lembra dos tempos difíceis que enfrentou como extrator de borracha em seu estado natal, o Acre. A decisão de mudar veio quando os oito filhos resolveram migrar para Porto Velho, devido a oferta de empregos na região. Com o passar dos anos, o aposentado vivenciou também as mudanças econômicas pela qual o Brasil e estado passaram no fim do último século.

“Havia muito trabalho. Eu passei quase dois anos no garimpo, mas não cheguei a trabalhar com ouro. Vendia merenda a garimpeiros. Vi o cruzeiro passar para cruzado, mas aqui algumas pessoas chegavam a pagar em ouro”, lembra o aposentado.

Redescobrindo a Porto Velho negra
Se seu Pedro veio motivado pela “corrida ao ouro” décadas atrás, outras pessoas, anos depois, chegariam a Porto Velho, agora movidas por outro ciclo econômico na região, a construção das usinas hidrelétricas na capital.

Uma dessas pessoas é a fotógrafa Marcela Bonfim. A paulista de Jáu, interior de São Paulo, chegou a Porto Velho em 2010 em busca de um emprego na área de economia, pela qual é graduada.

“Aqui estava na expansão das usinas e cheguei para ser gerente em uma financeira, mas não me adequei às condições de trabalho, foi quando comecei a ter um contato com a cidade e resolvi comprar uma câmera, pois achei Porto Velho muito interessante”, lembra Marcela.

Negra, Marcela conta que sempre que andava pelo Centro da cidade era questionada por moradores se sua origem era barbadiana, povo negro caribenho que chegou a Porto Velho no início do século XX para trabalhar na construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

Instigada, a fotógrafa conta que chegou a conhecer algumas famílias tradicionais barbadianas, mas foi informada que a diversidade negra em Porto Velho era maior por conta dos ciclos econômicos pelos quais a cidade passou.

“Quando cheguei aqui não tinha uma boa relação com a minha pele. Sempre negligenciei o fato de eu ser negra. Ao chegar em Porto Velho eu comecei a olhar uma outra forma de negritude que eu não conhecia, como os barbadianos. Vi que ser negro em Porto Velho não é tão ruim assim”, explica Marcela.

Descobrindo a Porto Velho negra, Marcela conta que começou a fotografar essa população e a expor seu trabalho de resignificação da cultura negra na Amazônia. Para ela, as pessoas de outras regiões do Brasil se assustam quando tomam conhecimento de que seu trabalho fala de negros que vivem na Região Norte.

“As pessoas pensam que não existem negros na Amazônia. Em Porto Velho, por exemplo, é possível ver essa influência nas comidas, nos temperos. Ao andar por essa cidade é possível encontrar uma diversidade muito grande de negritude. Tudo isso foi trazido com essa leva de melanina, um ciclo quase desconhecido”, finaliza a fotógrafa.

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