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Universidade de RO corta árvores de bosque para fazer estacionamento

O Observador, 30/07/2016 19h40

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Porto Velho, RO - A derrubada de várias árvores no bosque da Universidade Federal de Rondônia (Unir) está gerando revolta entre alunos do curso de engenharia ambiental, em Ji-Paraná (RO), região central do estado. Segundo a instituição, as árvores estão sendo retiradas para dar espaço a um estacionamento. A direção do campus afirma que o projeto foi autorizado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semeia) e ressaltou que o corte visa a segurança dos estudantes. Para os alunos, várias araras e maritacas que ficavam no local serão prejudicadas com a derrubada.

Por causa do corte, os alunos da instituição reivindicam uma readequação do projeto, para que as plantas e a área de convivência do bosque sejam mantidas. A coordenação do curso de engenharia ambiental na Unir afirma que as árvores manteriam a qualidade do ambiente da universidade.

"Nós apoiamos essa expansão, porém identificamos algumas situações que poderiam ser contornadas. Essa característica de preocupação com o ambiente se dá principalmente na formação dos nossos acadêmicos. Eles são preparados para ver esses problemas de maneira integrada. Eles olham os problemas e procuram trazer soluções, mas isso não acontece quando nós recebemos um projeto que vem engessado", afirma o professor Jeferson Alberto de Lime, coordenador de engenharia ambiental na Unir.

Após a derrubada, estudantes realizaram um abaixo assinado e encaminharam ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO). Eles garantem que as árvores servem como fonte de abrigo e alimento para araras e maritacas. Segundo os universitários, não houve uma discussão entre a direção e a comunidade acadêmica.

"Queríamos ter uma explicação melhor sobre o projeto. A resposta que tivemos foi que o projeto estava disponível para acesso, mas eles não abriram espaço para diálogo com os alunos. Nós pedimos a eles para que não houvesse o corte antes que a direção conversasse com a gente, mas isso não foi feito", conta o estudante Gabriel Araújo.

A direção da universidade contraria a versão dos estudantes, afirmando estar aberta a diálogo. Segundo a direção, o projeto de corte foi autorizado pela Semeia e que outras árvores já causaram riscos aos alunos. Diante disso, a remoção é necessária para adequação à expansão do campus.

"Não é vontade da Unir remover essas plantas, mas nem toda árvore é adequada para plantio em área urbana. Esses cortes foram autorizados pela secretaria e estão sendo realizadas em árvores próximas as salas de aulas. Já tivemos um caso de uma árvore que danificou uma sala de aula. Se acontecer algum acidente dentro do campus, a administração poderá responder civil e criminalmente por isso, então o que fazemos é entregar um ambiente seguro para os estudantes", afirma Wilian Silva Sales, coordenador de serviços gerais da Unir.

Segundo a direção, as plantas são de espécies desconhecidas e não são naturais da flora nativa. A instituição afirma que nos últimos anos 33 árvores foram plantadas no campus da universidade e outras serão repostas para substituir o corte que está sendo realizado.

"Serão removidas nove árvores, sendo seis de espécie exóticas e algumas que estão próximas à rede elétrica e podem causar acidentes, para cada planta que for removida nós iremos replantar espécies adequadas para plantio urbano. A legislação prevê um número de vagas de estacionamento de acordo com a quantidade de área coberta, estamos adequando o campus as normas e projeto conta com uma área de convivência para os alunos", diz Wilian.

 

     

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